DESIGN DISTICT – SEM LIMITES PARA O CRIAR

Em saudável contaminação, arquitetura, arte e moda se mesclam nos espaços do Design District.

Tendo o design como pano de fundo, arquitetura, moda e arte se entrelaçaram nas alamedas do Design District: o bairro implantado por Craig Robins no norte de Miami, concebido para ser o maior centro de compras ao ar livre dos Estados Unidos. E que hoje, a cada dezembro, se converte em ponto de parada obrigatória para profissionais e amantes do design. Este ano, no centro das discussões, os conceitos de beleza e realidade e como eles se refletem na criação contemporânea.

Assim, em um percurso transversal, quem passou por lá no início do mês pode conferir um pouco de tudo: de lançamentos de móveis e roupas a happenings e instalações de artistas plásticos. De exposições, retrospectivas e vernissages ao encontro, no ponto central do bairro, de dois visionários arquitetos dos séculos 20 e 21: o americano Buckminster Fuller e o britânico Norman Foster.

Um circuito de alucinante contaminação, capaz de apresentar, por exemplo, as fluorescentes e camufladas telas do artista plástico alemão Anselm Reyle, que, com suas pinceladas, tomou de assalto bolsas e carteiras Dior. Ou as linhas suprematistas do britânico Liam Gillick: o profissional em plantão na Pringle ofScotland, tradicional fabricante de cashmere, que encarregou o artista de desenhar uma linha de acessórios de couro.

Única loja do vanguardista estilista belga em terras americanas, a Maison Martin Margiela é capítulo à parte para o interessado em examinar possíveis conexões entre moda e design. Adaptado e decorado pelo próprio Margiela, a loja faz do uso icinigráfico de diferentes tonalidades de branco o seu mais forte diferencial; além de contar com objetos inusitados, que misturam passado e presente, imprimindo um colorido simbólico ai espaço.

Em um ano que registrou forte participação feminina – incluindo a artista Mary Anderson, que criou uma instalação com o marido, Richard Halley -, a também americana Karen rifas brilhou uma de suas instalações com cordas, capazes de reproduzir padrões geométricos complexos, tais como linha retas que parecem curvas ou que parecem vibrar, e montadas para valorizar cantos negligenciados dos espaços.

Maravilhosa. Deslumbrante. Incrível. Adjetivos não faltaram para descrever o assombro provocado nos visitantes que conferiam, in loco, Aquarium: o monumental móbile criado pela carioca Beatriz Milhazes para a Fundação Cartier, que consumiu quase dois anos de trabalho na sua confecção, além de inacreditáveis 14 mil quilates de pedras semipreciosas. Um sucesso instantâneo de crítica e público, que acabou por se converter, não sem razão, na mais disputada atração do bairro. Ponto para o Brasil.
SAPATO DE MADELEINE BERKHEMERARTE DE MADELEINE BERKHEMER

Fonte: O Estado de São Paulo – 17/12/2011

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CELEIRO DE IDEIAS

O clima é de celebração. Em sua sétima edição, a Design Miami firma sua posição estratégica no cenário global: para o público e para a mídia especializada trata-se de ponto de parada obrigatório para tomar contato com a produção de ponta de todo o mundo. Para colecionadores e amantes do design, o evento é uma rara oportunidade de conferir, em um único pavilhão, grandes momentos da criação internacional de todo o século 20 até os dias de hoje.

Um sucesso que deve muito ao formato particular proposto pela exposição. “Diria que nosso controle de qualidade é duplamente certificado. Nossa curadoria procura selecionar expositores entre as melhores galerias de design de todo o mundo. Depois, existe a curadoria específica de cada uma delas; sendo que todas são, reconhecidamente, especialistas em suas áreas”, explica Marianne Goebl, diretora da Design Miami, que, este ano, aconteceu de 30 de novembro até o último dia 4.

Some-se a isso a atmosfera de efervescência criativa que se instala na cidade durante o evento, com a realização da filial da feira de arte suíça Art Basel, além da intensa programação cultural do Design District. Assim se tem uma ideia aproximada do porquê, em menos de uma década, de desconhecida, a mostra se tornou uma referência.

Ao todo, são 28 os convidados oficiais. Uma lista consistente de galerias de design do mundo todo, com destaque para os representantes Dos Estados Unidos, como a Demisch Danant, a R 20th Century e a Johnson Trade, de Nova York, e da Grã Bretanha, como a Oficina Carpenters e a Didier Ltd, de Londres. Mas também com espaço para casas européias de peso, como as galerias Patrick Seguin e Kreo, de Paris, e a Pierre Marie Giraud, de Bruxelas.
ENTRADA DO DESIGN MIAMI

Fonte: O Estado de São Paulo – 17/12/2011

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UNIDOS POR UMA BOA CAUSA

Luminaire Lab é um showroom de 15 mil m² instalado no coração do Design District, em Miami. O lugar, porém, é mais que uma loja de luminárias – e também de móveis, apesar do nome. Seus proprietários, os irmãos Nargis e Nasir Kassamali, acreditam que o design pode ajudar a aprimorar nossa experiência no mundo. A fazer, de fato, a diferença.

Design.Love, a mais recente exposição organizada pela dupla no amplo lobby da Lab. É exemplo concreto dessa percepção, ao convencer alguns dos mais influentes designers da atualidade – entre eles, Ingo Maurer, Philippe Starck, Konstantin Grcic, Ross Lovegrove, Tom Dixon, Alessandro Mendini, Patricia Urquiola e Macel Wanders, apenas para citar alguns – a colocar sua criatividade a serviço da luta Contra o câncer.

Tendo como ponto de partida o compromisso pessoal dos empresários de criar novas formas de angariar fundos para pesquisas de cura da doença, a ideia de realizar a mostra em Miami surgiu de uma conversa com a jornalista Chantal Hamaide, amiga de longa data da dupla e editora – chefe da revista francesa Intramuros, uma das principais publicações de design da Europa.

Segundo Nargis, foi o empenho pessoal de Chantal que despertou nos designers o desejo de participar, voluntariamente, da exposição. Reunindo quase uma centena de peças de Corian – algumas feitas especialmente para a ocasião -, a mostra foi um dos pontos altos entre as dezenas de eventos organizados em torno das edições 2011 da cultuada Design Miami e mega Art Basel Miami Beach, realizadas no início de dezembro.

“A história da Design. Love começa em 2005. Quando nossa revista, em conjunto com a Du pont, produtora do Corian, conclamou 75 designers que tinha aparecido na capa de nossa publicação entre 1985 e 2005 para criar uma obra original, em comemoração aos 20 anos da Intramuros, tendo como suporte uma placa dessa resina sintética”, conta Chantal.

Posteriormente, os trabalhos foram exibidos, com grande sucesso, na exposição Placas Sensíveis no Centro George Pompidou, em paris, e, mais tarde, no Centro Cultural Francês de Milão. Para a etapa Miami, mais 25 trabalhos foram encomendados pela curadora, em sua maioria a profissionais que apareceram na capa da Intramuros, entre 2005 e 2010. “Tendo sempre o Corian como suporte e a imaginação como limite”, diz ela.

“Foi esse o magnífico acervo que nos foi ofertado para a exibição em nossa loja e, depois, para o leilão online”, contou Nasir, satisfeito com a repercussão alcançada pela ação filantrópica. Além de atrair um público nunca visto à Luminaire Lab, o evento angariou, em poucas horas de leilão virtual, US$ 50 mil (cerca de R$ 93 mil) para financiar pesquisa do Sylvester Com prehensive Cancer Center, instituto filiado à Universidade de Miami.

“Diria que se tratou de uma experiência estético – emocional inspiradora. Não só pelo seu potencial de mobilização, que superou minhas expectativas, mas pela multiplicidade de visões demonstrada pelos designers partindo todos de um mesmo estímulo: uma superfície rígida, no tamanho de uma folha de papel ofício, que nas mãos deles tomou formas totalmente inesperadas”, disse Chantal.

De fato, tirando proveito das características estruturais do Corian – principalmente sua traslucidez, maleabilidade e resistência mecânica -, o conjunto apresentado surpreendeu por sua originalidade. De simples metáforas tridimensionais envolvendo o mundo contemporâneo, passando por objetos utilitários, luminárias prontas para serem usadas, citações poéticas e uma infinidade de propostas de conteúdo artístico, poucos foram os temas não visitados pelos designers em seus trabalhos.

“Acreditamos que nossa exposição serviu para afetar positivamente a psique de todos os que nos visitaram. Com suas peças, os designers demonstraram que podemos, sim, com criatividade e disposição, ajudar a construir uma realidade melhor”, afirmou Nasir sobre a bem – sucedida empreitada, que já tem a segunda edição programada para o ano que hoje se inicia. “Além disso, foi a nossa homenagem a todos aqueles que se foram e também àqueles que lutaram e sobreviveram à doença.”

Fonte: O Estado de São Paulo – 07/01/2012

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COR PARA CLAREAR

Quando reveevarn Choksombatchai, arquiteta e artista de origem tailandesa, pintou seu quarto de verde – limão e a cozinha de laranja, não se preocupou sobre por quanto tempo gostaria de viver entre cores tão vibrantes. “Sou muito intuitiva quando se trata de cores”, diz ela. “Mas tem algo de libertador em viver e trabalhar em espaços que não são precisos, em um lugar que eu planejei demolir.”
Raveevarn, de 50 anos, comprou para demolir a pequena edificação de 1907 caindo aos pedaços na área de SoMa, San Francisco, em 1999, com Ralph Nelson, então seu marido, pagando US$ 345 mil (cerca de R$ 630mil). As fundações danificadas tornavam impraticável uma renovação. O casal, que havia fundado o escritório de design Loom, pensava em substituí-la por um prédio arrojado para abrigar casa e estúdio, além de dois lofts residenciais que esperavam vender e uma loja que pretendiam alugar.

O projeto, inspirado na ideia de uma mala entreaberta espremida no lote estreito, ganhou o prêmio da revista Progressive Architecture de 2002. Mas, quando as licenças do edifício foram aprovadas, o casal havia se separado e a recessão tornara o financiamento inviável. Assim, mais de uma década depois, Raveevarn ainda vive e trabalha no espaço original de 186 m², onde o “temporário” virou longo prazo.

Espaço para criar. Ocorre que viver dessa maneira lhe convém criativamente. Raveevarn, que leciona arquitetura na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e criou seu próprio estúdio, Veev, explora os limites que separam arte, arquitetura, paisagem e mobiliário em seu trabalho. Ademais, a casa está em estado de fluxo contínuo, com pouca separação entre a vida cotidiana e o trabalho.

Para se chegar ao estúdio, passa-se pela área de jantar e estar, onde maquetes e projetos coexistem com objetos pessoais: assentos vintage de Eames, Bertoia, Saarinen e Florence Knoll e cerâmicas bizarras da metade do século de Roseville e Russel Wright e tecidos estendidos no alto (protótipos para uma instalação em 2005).

O proprietário anterior, o pintor Vladimir Nemkoff, que morreu em 1998, abriu o interior verticalmente para criar um área de pintura com pé – direito duplo que é agora o estúdio. Raveevarn conservou essa e outras intervenções espaciais que ele fez, mas “reinterpretou” o lugar, pintado paredes amareladas e batentes marons que, segundo ela, davam uma sensação de lugar “apertado e escuro”. Para criar uma sequência legível de volumes espaciais, ela conferiu às paredes e tetos de cada ambiente uma única cor: vermelho vivo para o vestíbulo, verde – limão para o quarto de dormir e laranja escuro para a cozinha.
A sala de estar principal é branca, animada por ladrilhos de linóleo quadriculados de Nemkoff e reflexos das cores do quarto e da cozinha no chão induzidos por clarabóias. “A pessoa obtém vislumbres dos outros espaços”, diz ela, “e começa a entender a sequência inteira.” Ao longo dos anos, o projeto para o terreno evoluiu. Raveevarn espera erquer a construção algum dia, mas, por enquanto, seus experimentos continuam.
COZINHA DA ARQUITETA RAVEEVARNSALA DA ARQUITETA RAVEEVARN

Fonte: O Estado de São Paulo – 14/01/2012

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CURSO DE INOVAÇÃO NA ITALIA

CURSO

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EATAL

Um conceito inovador para apresentar o conceito do Made in Italy na gastronomia. Foram criados restaurantes característicos de todas as regiões da Itália e espaços que comerciali-zam os produtos utilizados para produção dos mais elaborados pratos, como azeites, presuntos, vinhos, alcachofras, etc. Possui lojas em Nova Iorque e em toda a Itália)

MISSON

Dentro do conceito Made in Italy, a inovação estética e técnica fazem parte da identidade desta empresa, uma das maiores expres-sões da moda, que possui uma clara atitude de marca e produtos sempre ansiosamente esperados no cenário prét-a-porter. Além da área de moda, a Missoni tem seu hotel e também atua no segmento home.

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AGRONEGÓCIO E CLASSE C LEVAM INTERIOR DE SÃO PAULO A LIDERAR CONSUMO NO PAÍS

Sustentado pela renda do agronegócio da cana-de-açúcar, o interior paulista foi a região que mais ampliou gastos com alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza neste ano, à frente até dos mercados “queridinhos” do consumo, como o Nordeste e o Centro Oeste. O desembolso com essesitens cresceu 14,8% no interior do Estado de São Paulo no primeiro semestre em relação a igual período de 2010, revela pesquisa exclusiva da Kantar Worldpanel.

Enquanto isso, as vendas nacionais desses produtos aumentaram, em média, 10,4% entre janeiro e junho deste ano. No Nordeste e no Centro-Oeste, o consumo subiu 11,7% em cada região. “Foi a primeira vez desde 2007 que o interior de São Paulo registrou a maior taxa de crescimento de consumo de itens vendidos nos supermercados em relação às demais regiões do País”, observa Christine Pereira, diretora comercial e responsável pelo estudo. Semanalmente, a empresa especializada em pesquisa todo o País para radiografar o consumo de uma cesta com cerca de 100 produtos.

Pela pesquisa, no primeiro semestre, a quantidade comprada de produtos não interior paulista e 6% no País, ao passo que o consumo de básicos caiu 3,1% no interior de São Paulo e subiu 0,3% na média de todas as regiões. Os maiores aumentos nos volumes no interior paulista foram para bebidas (7,6%), limpeza (6,5%) e perfumaria (5,8%).

Só as quantidades compradas de detergente líquido, Sorvete e cerveja, por exemplo, cresceram 142%, 101% e 71%, respectivamente, no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo semestre do ano passado.
Cada vez que uma família do interior de São Paulo foi às compras de comida, bebida e artigos de higiene e limpeza ela gastou R$ 16,64, cifra 14,4% maior que a média do País (R$ 14,59). O desembolso médio da família de classe C do interior paulista, de R$ 16,11, superou o gasto médio do brasileiro no 1.° semestre.

Classe C. Christine atribui o crescimento excepcional do consumo do interior paulista ao aumento do número de famílias da classe C, aquelas com renda mensal entre R$ 2.180 e R$ 5.450. “A classe C é forte no interior de São Paulo e as classes D e E no Norte e Nordeste”, ressalta a executiva. As classes D e E têm renda de até R$ 2.180, segundo os critérios usados na pesquisa.

De 2007 para 2011, o interior de São Paulo ganhou 700 mil lares da classe C, o dobro do acréscimo que houve no mesmo período na Grande São Paulo (350 mil) para essa classe de renda, diz Christine. Com isso, essas famílias da classe C do interior de São Paulo Passaram a responder por 47% do consumo de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza da região, ante 41% do total das compras no Brasil.

Fonte: O Estado de São Paulo – 03/12/2011

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CRIAR CARRO BONITO E COERENTE DESAFIA DESIGNER DA NISSAN

Doodles são desenhos encontrados com freqüência em blocos de reuniões de trabalho e em cadernos de alunos. Às vezes, porém, esse aparente sintoma de distração pode esconder talentos. É o caso de Shiro Nakamura. É verdade que, quando menino, ele não estava mesmo interessado na aula quando enchia as margens das folhas do caderno com desenhos de carrinhos. Mas foi por meio desse exercício que aos nove anos de idade decidiu que seguiria a carreira de designer de automóveis.

Cinquenta e dois anos depois, o chefe de criação, design e gestão de marca da Nissan parece tão entusiasmado com os carros como nos tempos de garoto. Nos 37 anos de uma carreira que inclui passagens pela criação na Isuzu e design avançado da General Motors, nos EUA, não é a evolução tecnológica dos automóveis que mais instiga a criatividade do executivo. Para ele, a parte mais complexa da carreira começa agora: em meio aos desafios ambientais, de nada adiantará o talento na criação se o automóvel não estiver inserido no novo ciclo da mobilidade urbana.

Pela primeira vez no Brasil, Nakamura percorreu Rio e São Paulo em dois dias e saiu ontem do país com a certeza de que o gosto brasileiro por carros é diferente de qualquer outro país emergente. Ele já ouvira falar sobre essa peculiaridade. “O interesse do consumidor aqui é muito específico.” Outra coisa que chamou sua atenção: a limpeza dos carros. Pelo menos nas duas capitais ele testemunhou carrocerias reluzentes circulando pelas ruas. Nada a ver com a falta de capricho dos europeus, compara.

Se o começo da história da indústria automobilística no Brasil foi fortemente influenciada pelas linhas européias, há hoje uma mistura de tendências, atesta o executivo japonês. “É um balanço de influências único”, destaca.

Ele veio ao Brasil para conhecer os trabalhos de alunos do Instituto Europeu di Design (IED), em São Paulo, com o qual a Nissan firmou uma parceria para apoiar o curso de design automotivo. Segundo Nakamura, a montadora tem feito isso para estimular a troca de informações com os jovens. O executivo lamenta ver o interesse por carros diminuir entre os jovens. E, embora considere o sistema de metro de Tóquio complicado, o executivo reconhece que a fartura de meios de transporte em países como onde ele nasceu afasta as novas gerações dos automóveis.

E quando o assunto é tendência de cores, Nakamura rejeita tons chamativos. Conta que ele só teve carros prata. Tonalidades sóbrias o ajudam a perceber melhor o formato. Engana-se quem pensa que um amante dos automóveis, como esse, torce o nariz para modelos elétricos. Com um volante imaginário, Nakamura se acomoda na cadeira e, como se voltasse à infância, explica: “Num carro a combustão, a passagem das marchas leva a um ‘vrum, vrum, vrum’, em várias etapas. No elétrico, o carro logo sai num único ‘vruuumm’.”

Para ele, o carro elétrico deveria chegar ao Brasil antes até do híbrido. “Como o consumidor brasileiro prefere carros pequenos, o preço de um híbrido, normalmente maior, não vai compensar”. A Nissan não tem planos de híbridos no Brasil. Já a sua concorrente, a Toyota, já anunciou que começará a vender o modelo Prius (que tem dois motores – um elétrico e outro a combustão) no próximo ano.

Com uma equipe de 600 profissionais no Japão, 60 em San Diego (EUA) e mais 50 em Londres, Nakamura esteve envolvido nos projetos de carros do futuro recentemente apresentados no salão do automóvel de Tóquio, como o Pivô, o projeto do carro elétrico que estaciona sozinho e pode ser acionado por meio de celular. Para Nakamura, trata-se da segunda geração dos elétricos, que depende da infra-estruturar das cidades, e que pode funcionar cinco a seis anos depois de a primeira geração, lançada no ano passado no Japão e Europa, se consagrar no mercado.

O carro elétrico trará mais liberdade à criação. É o caso da ideia, por exemplo, de o banco do motorista vir no meio do veículo e o do passageiro atrás. A proposta da Nissan não é nova, lembra Nakamura. Foi inspirada nos modelos esportivos.

Da mesma forma, ele acredita que não falta muito para as famílias começarem a colocar o carro elétrico dentro de casa para aproveitar as baterias em outros equipamentos do lar, como a televisão. Ou mais: como a própria Nissan apresentou em Tóquio: a casa móvel, que pode ser deslocada em viagens ou até em caso de emergência em catástrofes.
Estacionado sob a casa, o carro seria, no caso, um parceiro da família, fornecendo energia com suas baterias, que conseqüentemente, seriam recarregadas por meio de energia solar. Projeto do futuro? “Não, isso pode ser feito a qualquer momento; é fácil.”

Já a fase dos incentivos governamentais, única forma que a indústria encontrou para comercializar modelos elétricos na Europa, Japão e EUA, está prestes a terminar, segundo ele. “A demanda vai crescer e os governos vão parar de dar bônus, que hoje chegam a até 25% do valor do veículo”, diz.

Nakamura não revela nenhum plano de a Nissan vir a instalar um centro de desenvolvimento no Brasil. Hoje a montadora vende 60 modelos diferentes no mundo e só 15% das vendas ainda estão no Japão, seu terceiro maior mercado, depois de China e EUA. Nakamura deixou o Brasil ontem rumo a Londres, onde está o centro de criação da empresa na Europa. Metade do tempo da sua agenda é dedicada a reuniões de trabalho. A outra metade é toda dedicada ao que ele gosta de fazer desde os nove anos de idade. Afinal, diz, por mais que a mobilidade avance “nunca poderemos deixar de fazer carros bonitos”.
NAKAMURA

Fonte: Valor Econômico – 20/12/2011

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LOJAS ELIMINAM OS BALCÕES E CRIAM AMBIENTE ACESSÍVEL

O outro lado do balcão – a divisória que por décadas separou o vendedor do clientes – está com os dias contados. A tendência do varejo é abrir os espaços para o comprador fazer as escolhas. O vendedor transformou-se numa espécie de consultor. As roupas, calçados ou livros são manuseados pelo consumidor, resultando em maior interatividade entre o público e os produtos. “As lojas deram lugar a espaços abertos, nos quais a mercadoria fica ao alcance do cliente”, diz Fernando Lucena, presidente do Grupo Friedman, especializado em varejo.

A tendência vem se firmando nos últimos oito anos e deve se ampliar, na opinião de Lucena. Mas há ressalvas. “Essa proximidade é possível com produtos de menor valor agregado. A prática não acontece em uma joalheria”, observa. Pesquisas feitas pelo Grupo Friedman apontam que as barreiras devem ser evitadas, especialmente nas unidades dos shoppings. “Deixar a loja funcionar com a porta aberta é outra tendência”, diz.

Essa intimidade entre o consumidor e o produto, ressalta o presidente do Grupo Friedman, tornou-se mais segura para o lojista graças aos avanços tecnológicos. “A tecnologia e as técnicas de exposição dos produtos foram melhorando e surgiram novas formas para tornar o produto acessível sem correr riscos. É possível garantir a segurança sem causar constrangimento para o cliente e para o lojista”, acrescenta. Nas lojas de tênis e calçados, por exemplo, os pares são colocados na parede.

“Os alarmes melhoraram. São etiquetas magnéticas mais delicadas que dão segurança e deixam o produto mais acessível. As livrarias foram as pioneiras nessa prática. Elas deixaram de ser lojas tradicionais para ser um ambiente de convivência”, diz. No entender do especialista, grande parte dos artigos vendidos nos shoppings são “aspiracionais” e funcionam como compra emotiva. “O cliente não sai à procura daquele produto. Ele compra por impulso. Portanto, é preciso tornar esse processo o mais natural e fácil possível. As vendas crescem em função disso”, garante.

Alberto Sorrentino, sócio sênior da GS&MD – Gouvêa de Souza, chama a atenção para o equilibro que deve existir entre consumidor, vendedor e produto. “Quem dosa o serviço, o contato e o relacionamento é o cliente. O auto serviço funciona muito bem, desde que haja a interação entre o comprador e o vendedor”, explica. Em uma loja de calçados, exemplifica, é impossível colocar à disposição do freguês todos os números e modelos. “Nesse caso, é indispensável a presença do vendedor.”

Para o analista de varejo, esse novo desenho de loja tende a aumentar. “As boas experiências verificadas em algumas categorias migram para outras, permitindo o livre acesso ao produto, mas com uma assistência discreta do vendedor, de forma a deixar o cliente pilotar o processo de compra”, diz. Sorrentino também defende a eliminação de barreiras nesse processo. “Quando bem equilibrada e trabalhada, essa eliminação tende a aumentar o volume dos negócios”, explica.

Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) compartilha da mesma tese e acrescenta que o crescimento das vendas também está ligado à comodidade e novidades proporcionadas pelos shoppings, que atendem os desejos dos consumidores. “As lojas estão deixando o cliente à vontade para manipular o produto”, diz Sahyoun. Para o presidente da Alshop, “essa comodidade, por deixar a pessoa à vontade, ajuda na fidelização”.

Estudo da Alshop mostra que toda mudança no varejo traz bons resultados financeiros. “Quando uma loja faz uma reforma interna, imediatamente o faturamento cresce entre 25% e 30%. Isso é válido para os 90 setores existentes dentro de um shopping. O segmento de moda, depois das livrarias, foi quem mais avançou nessas mudanças”, explica. “A evolução foi tão grande que hoje é comum servir uma taça de vinho para o cliente e oferecer um lugar para o homem sentar em uma loja de roupas femininas. Foi um processo de mudança natural”, explica.

Essa aproximação com o consumidor contribuiu para os bons resultados – no acumulado de janeiro a setembro, houve um aumento de 10,9% nas vendas, segundo monitoramento nacional feito pela TNS Research Internacional e divulgado pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). A previsão da entidade é que as vendas encerrem 2011 com alta de 12% no faturamento em relação a igual período do ano passado.

Eletro-eletrônicos, livrarias, lojas de brinquedos e de lazer, que lideram no gosto do consumidor, registraram aumento significativo, de 17% no acumulado do ano. As lojas de alimentação têm sido destaque desde 2010, acumulando elevação de 13,5%. Outro índice de destaque é a taxa de ocupação verificada em setembro. “Há uma grande procura por lojas, mesmo com tantos shoppings abrindo e em expansão. Prevemos a inauguração de mais 43 malls para 2012, o que comprova o aquecimento e o interesse de investidores e empresários em apostar no mercado de shopping centers”, explica Adriana Colloca, superintendente de operações da Abrasce.
SAHYOUN

Fonte: Valor Econômico – 29/12/2011

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APOSTAS PARA 2012 – ARQUITETURA

“A tendência é o conforto, o bem estar. O que retrata bem isso são os anos 1940 e 1960, com mobiliário brasileiro de excelente qualidade, como o de Sergio Rodrigues e Tenreiro.”
DAVID BASTOS

Fonte: O Estado de São Paulo – 01/01/2012

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BALADA DO ESMALTE – DESIGN EXPERIENCE

Paredes brancas, TV ligada na novela, pequenas poltronas para clientes, mesas ou cadeiras padrão para as funcionárias. A ala das manicures dos salões beleza teve pouquíssimas – e quase imperceptíveis – mudanças nos últimos anos. Mas, por outro lado, a história dos esmaltes teve novas nuances.

Os pequenos frascos pularam das últimas prateleiras das perfumarias para o centro dos olhares das clientes. Ganharam atenção as cores vibrantes e as grifes de luxo entraram na onda, colocando suas etiquetas em vidrinhos que não só se tornaram objetos de desejo, mas deram aos esmaltes o adjetivo de acessórios de moda.

Com as unhas colocadas nesse novo patamar, aquele cenário antigo dos salões de beleza, que só variavam o estilo das unhas entre redondas ou quadradas, ficou pequeno demais para tanta sede de modernidade.

“A mulher mudou. Ela é bem informada, está por dentro da moda e busca serviços em lugares que reflitam esta sua realidade”, diz Agnes Cruz, economista que inaugura nesta semana o Cosmopolish, trazendo a São Paulo o conceito de “nail bar”, que tem aparecido em estabelecimentos em Paris, Londres e Nova York.

É um salão de beleza especializado em serviços de manicure e que se propõe a fazer mais que o convencional. O Cosmopolish oferece à cliente um cardápio de opções, que vão de pinturas como a degadê ou a inglesinha (com a ponta de uma cor e o resto da unha de outra) à “rapidinha” (que promete unhas prontas para uma reunião em surpreendentes 15 minutos, com esfoliação, hidratação e esmaltação).
No Cosmopolish, os serviços custam de R$ 18 a R$ 37. Além do tratamento “cool” às unhas, o diferencial do “nail bar” está na ambientação “descolada”, como define Agnes, e os drinks servidos como cortesia às clientes entre uma pincelada e outra. A bebida desta semana de inauguração é (como não poderia deixar de ser) o Cosmopolitan.
AGNES CRUZ

Fonte: Valor Econômico – 07/12/2011

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